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10 palavras do vocabulário inglês que você não fazia ideia vinham do português

O português incorporou vocábulos do idioma anglo-saxão, como delete ou flop, mas essa é uma avenida de duas vias. O inglês também buscou inspiração na língua de Camões.
Escrito Por Gabriel B.
10 palavras do vocabulário inglês que você não fazia ideia vinham do português

A língua é como um organismo vivo sempre em mutação. Sujeita ao tempo e a influências culturais e humanas, ela vai absorvendo novos elementos e tornando-os próprios. Isso inclui emprestar diretamente ou adaptar termos de idiomas estrangeiros. 

Antique (antiguidade/objeto antigo), architect (arquiteto), dialogue (diálogo), economy (economia) e até grammar (gramática) são algumas das mais de 150 mil palavras do inglês derivadas do grego, segundo uma estimativa do British Council! E o inglês adora vocábulos estrangeiros: 80% das entradas em dicionários são “emprestadas” de outros idiomas, sendo 60% delas vindas do Latim e do grego, revela o dictionary.com

 Muitas vezes, esses termos entraram no inglês com uma ajudinha de línguas latinas. Por exemplo, coconut (coco) surgiu no idioma anglo-saxão na metade do século 16 vindo do português. A mesma origem vale para marmalade (marmelada), que estreou no inglês no fim do século 15 a partir de marmelada/marmelo, buffalo (búfalo)no meio do século 16 via búfalo -, ou amah (ama), para se referir a enfermeira ou criada, na metade do século 19. 

O português serviu tanto como ponte para diversas outras palavras serem incorporadas ao inglês quanto tem termos adotados diretamente (muitos deles ligados a alimentos, como farofa ou feijoada, e animais). Ficou curiosa/o para explorar essas palavras? 

Preparamos uma lista de alguns dos melhores termos do inglês com origem (direta ou indireta) no português. Utilizamos como fonte de pesquisa o dicionário Lexico, que trabalha em parceira com o dicionário de Oxford em inglês, e também o Oxford Dictionary of Word Origins (Dicionário de Oxford de Origem das Palavras, em tradução livre), da Oxford University Press, editado por Julia Cresswell. 

Divirta-se! 

10 palavras em inglês que você não fazia ideia vinham do português

Albino 

A palavra se refere a uma pessoa ou a um animal cujo organismo produz pouca melanina, a substância responsável pela cor do cabelo e da pele. Devido à ausência desse pigmento, indivíduos com albinismo têm, em geral, a pele e os cabelos bem brancos. Também é comum que seus olhos sejam azuis e um pouco avermelhados/rosados. 

Segundo a Organização das Nações Unidas, o albinismo tende a ser mais comum na África. Nos Estados Unidos, 1 em cada 20 mil pessoas tem essa condição, enquanto na Tanzania são 1 em cada 1,5 mil – e 1 a cada entre 5 mil e 15 mil em outras áreas do continente africano. 

Em alguns países da África, infelizmente, pessoas com albinismo são perseguidas e vítimas de violência por causa  da sua aparência. 

O termo albino chegou ao inglês no início do século 18 por meio do português, que utilizava a palavra para denotar “indivíduos africanos negros” com essa condição. Ela também vem do espanhol e deriva-se do Latin albus (branco) + sufixo ino. 

Banana 

Ame-a ou odeie-a, a banana é uma das frutas mais populares do mundo ao lado do tomate e da maçã. Segundo a Enciclopédia Britânica, há indícios de que a planta tropical tenha sido domesticada pela primeira vez no sudoeste asiático. De lá, foi trazida para a África e depois à América. 

O consumo da banana é descrito em escritos do grego antigo, latin e árabe. E a fruta tornou-se um alimento bem estabelecido na América espanhola no período colonial, chegando ao mercado dos EUA por volta do século 19. 

O Dicionário de Oxford de Origem das Palavras diz que o termo banana foi emprestado pelo português e o espanhol da língua Mande, da África Ocidental, e acabou incorporado pelo inglês no século 16 por meio desses dois idiomas latinos.

Breeze (brisa)

Quem diria que o termo em inglês para aquele ventinho suave do fim da tarde (ou a qualquer hora do dia) veio do português? Pois é. Essa palavra foi adotada no vocabulário do idioma anglo-saxão no século 16, possivelmente, a partir do termo briza, do espanhol antigo e do português. 

O Dicionário de Oxford de Origem das Palavras descreve breeze como “originalmente um vento norte ou nordeste, especialmente um vento alísio [do leste para o oeste] na costa atlântica das Índias Ocidentais e na costa caribenha da América do Sul”. Desde o século 17, passou a significar “qualquer vento suave”.

Caste (casta)

A palavra casta refere-se a um grupo de pessoas com privilégios herdados ou indivíduos socialmente percebidos como distintos. É um termo comum, por exemplo, na sociedade Hindu, onde parte da população se distingue por divisões sociais de status/classe. 

O termo entrou no inglês na metade do século 16 via espanhol e português, idiomas nos quais a palavra significa “linhagem e raça”. Também é o feminino de “casto”, ou puro e não misturado, do Latin castus (puro).

Cashew (caju)

Essa fruta tipicamente brasileira é comum na região nordeste do país. Do cajueiro nasce a castanha de caju, que é o fruto em si. Aquela parte grande e amarela/avermelhada embaixo da castanha, o pedúnculo floral, não é a fruta! Mas dali vem o delicioso suco de caju e o ingrediente para doces, bolos, etc. A castanha tostada é um aperitivo conhecido no mundo todo e parte essencial de muitas receitas veganas por gerar um leite vegetal cremoso. 

Etimologicamente, caju chegou ao inglês no fim do século 16 pelo português. Mas a origem da palavra vem do Tupi acajú/cajú.

Commando (comandar/unidade de soldados especiais)

O significado dessa palavra está bem enraizado no militarismo. Ela pode indicar um grupo de soldados treinados para ataques especiais ou funcionar como o verbo comandar

O termo se referia, inicialmente, a uma unidade armada de cavaleiros bôeres na África do Sul, explica o Dicionário de Oxford de Origem das Palavras. Na Segunda Guerra Mundial, passou a descrever tropas treinadas para impedir uma invasão alemã do Reino Unido.

O termo foi adotado em inglês no começo do século 19 via português, embora sua origem seja baseada no Latim commandare (comandar) e mandare (cometer, comandar, confiar).

Embarrass (embaraçar/envergonhar) 

Entrou no inglês, possivelmente, vinda da palavra baraço do português, no começo do século 17. A sua raiz, contudo, vem do francês embarrasser. O sentido inicial em inglês era “onerar ou impedir”, depois adquiriu um contexto de dificuldade financeira até chegar, no século 19, ao significado moderno de envergonhar. 

Mosquito

Quem não tem um ataque de nervos quando um mosquito começa a zumbir no seu ouvido na hora de dormir? E esse nem é o pior problema causado pelo inseto. Os mosquitos têm o seu papel no ecossistema, mas você sabia que eles são o animal mais letal do mundo? 

Os vírus e parasitas transmitidos por esses insetos matam mais de 450 mil pessoas por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde. Essa estimativa inclui apenas os casos de malária e dengue – ainda há doenças como febre amarela, zica, chikungunya, entre outras. 

A palavra chegou ao inglês no fim do século 16 vinda do espanhol e do português, pelo diminutivo de mosca, e do Latin musca (voar).

Tank (tanque)

Essa palavra tem influência do sânscrito tadaga (lagoa) e do português para “lagoa”, tanque. No final século 17, já era usado no inglês para indicar um recipiente que comporta líquido. No contexto da Primeira Guerra Mundial, virou um código secreto para os veículos militares blindados fabricados para o conflito.

Zebra 

Esse “cavalo” listrado conquistou o público em documentários sobre a vida selvagem e desenhos animados. Para surpresa de muitos, a palavra zebra não vem de uma língua africana. Ela surgiu do “italiano, espanhol ou português”, a partir do Latim equiferus (cavalo selvagem). Dessas línguas, migrou para o inglês no início do século 17.

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Gabriel B.
Gabriel Bonis é jornalista, especialista em Direito Internacional para Refugiados e mestre em Relações Internacionais pela Queen Mary University of London. Ele passa a maior parte do seu tempo escrevendo sobre direitos humanos, ajudando refugiados a lidar com seus processos de asilo e estudando alguma língua nova. Atualmente, vive em Berlim. Siga-o no Twitter (@gbonis).
Gabriel Bonis é jornalista, especialista em Direito Internacional para Refugiados e mestre em Relações Internacionais pela Queen Mary University of London. Ele passa a maior parte do seu tempo escrevendo sobre direitos humanos, ajudando refugiados a lidar com seus processos de asilo e estudando alguma língua nova. Atualmente, vive em Berlim. Siga-o no Twitter (@gbonis).

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